Balão Azul

Meu balão azul, flutuantemente livre e inflado de estrelas. Como pode ter tanta leveza, nestes dias de céu profundo e onde há uma condição frágil coletiva, diante de um terror oculto? Veste-se em sorriso zen blasé. Lança-se em voo, meu mágico invólucro emborrachado, cheio de ar quente, como a vida de meus pulmões pulsantes. Livre. Em meu persistente sonho, reinas supremo e eleva-se na atmosfera circense e gigantesca dos encantados bailarinos voadores, presos em laços - aquele sonho. Acredita-se que além destas muralhas, há um universo onde habitam raras estrelas, que se embelezam ao entardecer e flutuam como plumas que vagam no ar, florindo salvação. No teatro da mente, astros explodem em espetáculo, por conta da beleza vítrea azulada de meu sonífero balão, que inflado plana rumo ao zênite e ultrapassa mundos cercados. Tudo paralisa por ele. E neste apogeu viver, será que só nós dois acreditamos no milagre leve e azul do sentir desconexo e confuso dos dias, no entrelaçado vapor amoroso que se forma em nosso espírito, enquanto acordados dormimos? Eu própria, tu, olhar sem nenhuma exatidão poética. Denso azul impreciso. Aquarelando e diluindo contornos de algum céu.

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